Carnaval de rua: o que sobrou?

Olá amigos, bem-vindos sempre!

Novo post no site Eu sem Fronteiras. Conto uma experiência pessoal de um sábado em que me vi presa entre os blocos de pré-carnaval em Pinheiros.

Também explico de forma simples alguns temas da psicanálise que analisei nesse episódio, deixando sempre a dica de cada um pensar em qual é a sua parte em tudo isso.

Passem por lá, um grande abraço e até a próxima!

Acessem: http://bit.ly/2mTVRkT

 

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A culpa não é das estrelas…

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Olá amigos, hoje vou falar um pouco sobre uma atitude nossa que impede o exercício do amor e do autoconhecimento: colocar a culpa nos outros.

Já dizia Freud “qual a sua responsabilidade na desordem da qual você se queixa?”. Enquanto não abrirmos os olhos para o nosso interior e percebermos qual é a nossa parte nas tristezas e frustrações pelas quais estamos passando, nada irá mudar.

O outro não é o culpado pela nossa infelicidade. Só é feliz com o outro quem consegue ser feliz sozinho. É preciso parar de ser pessoa metade, que depende de tudo o que está fora para encontrar a paz. É preciso deixar de receber os presentes que não são nossos, como a cara feia do outro, a arrogância, a prepotência. O que é dele é dele, e não é você quem vai fazer isso mudar. A única pessoa que você pode e deve mudar é você mesmo.

Acordar e começar o dia reclamando do que o outro fez ou faz não te levará a lugar nenhum. Colocar a sua vida a disposição do bom humor ou não de alguém é um desperdício de amor e tempo, e não deixa de ser um suicídio parcial.

Nos matamos um pouco a cada dia quando sofremos por não receber do outro o reconhecimento e a segurança que exigimos dele. Adoecemos quando não percebemos que não é o outro que veio ao mundo para atender as nossas expectativas e realizar os nossos sonhos.

Já chega! Dê um basta no sofrimento que te acomete. Assuma a responsabilidade e as rédeas da sua vida e da sua evolução. Deixe de ser criança birrona reclamando de tudo e de todos e olhe para as suas sombras, ilumine a sua caverna e cresça! Liberte-se do que não te faz bem, faça algo por você, se ame, tire um tempo no dia para se autoavaliar. Com certeza terá ensinamentos maravilhosos, com certeza se conhecerá um pouquinho mais e irá perceber o quanto é imperfeito e humano como o outro. E assim vai começar a enxergar a sua parte nessa desordem.

A vida é cheia de oportunidades diárias para que possamos evoluir. Nossos mestres são estas pessoas que nos lapidam, que nos testam, que provam todos os dias para nós mesmos o quanto somos pequenos e o quanto temos que aprender.

Culpar o outro é o pior caminho que podemos trilhar, pois a escolha é sempre nossa. Percebemos quando estamos evoluindo quando conseguimos enxergar que naquela briga, naquele problema, naquela desordem, tivemos a nossa parte. E tudo bem! A vida é assim, perceber, se arrepender, não repetir e seguir, errar novamente e levantar. Perdoar e se perdoar!

A culpa não é pra ser do outro e nem nossa.  Culpa nos faz sofrer, adoecer, envelhecer. Ela só serve para o nosso arrependimento e em seguida deve ser eliminada, pois como seres imperfeitos que somos, sempre teremos algo a melhorar.

Uma ótima semana da autoanálise para todos nós!

Meditação

43. O filho problema que lhe pede atenção é seu mestre.

Liberte-se das sombras

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Todos nós temos dois níveis de consciência, a egocêntrica e a empática, sendo que geralmente a egocêntrica é preponderante. Como seres em evolução, nossa meta é transformar as nossas sombras, para que possamos ser cada vez mais empáticos e mais próximos do nosso verdadeiro eu, que é amor.

Mas o que são sombras?

Este termo foi utilizado pelo psiquiatra e psicoterapeuta Carl Gustav Jung e tem o mesmo significado do recalque de Freud. Diferentemente do pai da psicanálise, Jung acreditava em Deus e teve grande parte dos seus estudos voltados para a parte espiritual, misticismo e religiosidade, um dos fatores que o afastou de Freud.

Segundo Jung, a sombra é a nossa parte escura que se encontra inconsciente, mas que afeta grandiosamente toda a nossa vida. Na verdade, elas fazem parte do nosso eu que não queremos ver, por medo do enfrentamento e também de sair da zona de conforto em que muitas vezes nos colocamos.

Acontece que fomos “programados” para fazer com que estas sombras se tornem luz, e isso ocorrerá por bem (pela conscientização) ou por mal (pela dor), mas cada um tem o livre arbítrio para escolher como.

Todos nós, sem exceção, temos no fundo do nosso eu todos os sentimentos de amor, que estão latentes, esperando para serem potencializados. Além disso, temos impulsos primitivos que trazemos dos nossos ancestrais que, quando não aceitos e trabalhados podem nos levar às doenças psicossomáticas, que afetam nossa mente e corpo.

Estes impulsos primitivos, somados com nossos desejos, lembranças, emoções, mágoas, tristezas, culpas, estão guardados nesse mundo interior chamado inconsciente, e têm o grande poder de nos fazer sofrer. Aceitar-se como é e trabalhar o que incomoda é um desafio, que muitos ainda não estão preparados para assumir.

Trazer estes conteúdos para a superfície é trazer para a luz, é crescer, amar-se, é aprender a ser feliz sem esperar do outro, é tornar-se único e fazer a transformação de uma consciência egocêntrica em empática.

Saiba que tudo que te incomoda no outro é algo que precisa ser trabalhado em você. Quando se irritar com algo ou alguém abra os olhos da alma e veja se lá no fundo, o problema não é seu. Lembre-se que quando apontamos um dedo para o outro, temos quatro apontados para nós. Já pensou nisso?

O outro é importante para a nossa evolução. Sem ele não teríamos o atrito necessário para nos lapidar, e tirar toda a casca que protege o amor que temos em nós.  O outro nos testa, nos provoca e nos faz balançar na nossa eterna capacidade de não nos mostrar como realmente somos.

Mais cedo ou mais tarde teremos que nos encarar de frente e perceber que somos egoístas, ciumentos, agressivos. Perceberemos que nutrimos sentimentos de superioridade e inferioridade, que mantemos relacionamentos por ganhos e que na grande maioria das vezes agimos com falsidade e hipocrisia, colocando nossas máscaras diárias para esconder o que é verdadeiro.

Todos nós temos algo que não queremos que seja descoberto afinal, somos imperfeitos, mas cabe a cada um fazer suas escolhas conscientemente e assumir as consequências delas, sem culpar o outro pela sua infelicidade, já que ela é responsabilidade única e exclusiva sua.

Vamos tornar este mundo mais iluminado, começando por transformar nossas sombras em luz, pois a casa, o bairro, a cidade, o país, o continente, o mundo não é feito dos outros, é feito de cada indivíduo, e do que ele tem de luz para compartilhar.

Uma ótima semana de paz para todos!

 

Meditação

5. Se o outro está mal humorado, compreenda o estado de espírito dele e se possível adie a conversa para mais tarde.

Recalque de Freud X recalque da moda

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Uma palavra que anda em destaque hoje em dia é “recalque”. Ela está em tudo, em conversas, em redes sociais, em músicas. No “popular” estão utilizando como sinônimo de inveja, e não será surpresa se esta descrição for adicionada ao dicionário, como já aconteceu com diversas palavras que começaram a fazer parte do nosso dia a dia. A língua, como a vida, é sempre reinventada, e novos significados vão surgindo e se transformando.

Confesso que este uso da palavra me incomoda, e vou tentar esclarecer seu significado na psicanálise. O termo recalque foi utilizado por Freud em seus estudos sobre histeria, doença comum na sua época. É definido como um mecanismo de defesa, uma forma de repressão do que não estamos preparados para enfrentar, que queremos, mas que por temermos, enviamos para o nosso inconsciente. Pode ser uma lembrança, um desejo, uma tendência (agressividade, poligamia, homossexualismo, incesto, etc.). Assim, ele funciona como um habeas corpus para o ego (nosso eu), pois é uma forma de adiar algo que não está compatível com o nosso ideal de ego (caráter) e o nosso ego ideal (personalidade).

O recalque, apesar de natural no ser humano, é um dos grandes causadores das psicopatologias. Para manter nossos conteúdos guardados, precisamos utilizar da energia da nossa autoestima para contrainvestir. Esta energia acaba faltando na nossa vida de relação. Se não trabalharmos estes conteúdos, com o tempo, podemos sofrer as consequências. Enquanto tivermos energia para mantê-los tudo pode parecer bem, mas com as dificuldades e os problemas da vida, podemos aos poucos não ter forças suficientes para isso. Assim, eles tendem a querer “sair” e podem causar diversos problemas, como as neuroses e as psicoses.

Para que possamos nos tornar pessoas inteiras, precisamos aprender a perlaborar, ou seja, enfrentar nossos desejos, vontades e tendências e entender que somos seres humanos em evolução, que vamos cair e levantar, que vamos errar e acertar, mas que o mais importante é nunca desistir.

A psicoterapia tem como objetivo nos livrar das sombras que nos assombram e fazer com que possamos nos amar, nos conhecer, nos fortalecer, para não mais precisar esconder o que somos e não mais se importar com o que os outros pensam de nós.